
Hoje tenho o prazer e a honra de ser o paraninfo da VI turma de Publicidade e Propaganda da Universidade Barão de Mauá. Uma das mais talentosas turmas que já tive o privilégio de dar aula. Por isso, o texto a seguir é uma pequena homenagem a ela. É um texto do João Livi, da Talent. O meu discurso, se ficar bacana (não consegui acabá-lo ainda), eu publico na segunda. Obrigado a todas as agências dessa turma pelos dois anos de convivência: Ars, Eureka, Francis Gable, Gênese, Grillo, Maria, Nova 2, Pong, Snap, Vidi. Vamos ao texto:
O talento é a humanidade fazendo mágica.
Nem todo o conhecimento, nem todas as estatísticas, nem todos os manuais de instruções já escritos se comparam em utilidade ao talento criativo.
Luis Fernando Veríssimo faz mais pelo autoconhecimento deste país do que os radares do Sivam.
O talento é a única forma bonita de mudar o mundo.
Os Beatles mudaram mais as coisas, e de um jeito muito mais agradável, do que muitos generais com seus exércitos.
O talento seduz.
Ninguém jamais conquistou um grande amor apresentando todas as razões e motivos de forma hiperordenada, com item e subitem, alinhamento pela esquerda, página numerada e tal.
O talento enobrece a raça humana, quer expresso sob forma de poesia, música, prosa, som, quer como ciência, conversa de botequim, dribles.
Peça a um burocrata uma explicação sobre o sentido da vida e, cinco minutos depois, você já estará caindo no sono.
Peça a mesma coisa a um poeta e você terá uma resposta igualmente inconclusa, mas se sentirá, pelo menos, parte de uma raça bem mais interessante.
O talento economiza. Um bangalô com boa música é melhor do que uma mansão com hábitos frívolos.
O talento é a única característica da humanidade que um computador ou um cãozinho-robô jamais conseguirão reproduzir, pelo simples fato de ele estar acima da lógica.
O talento é generoso, alegra o espírito e desempata discussões que os argumentos exacerbam.
Ninguém jamais se apaixonou por uma ordem de comando. Mas já se moveram montanhas por emoção.
Todas as campanhas publicitárias de que você gostou foram em algum grau imperfeitas, mas talentosas, e todos os filmes de propaganda repletos de razões e motivos expressos de maneira ansiosa não mereceram mais do que o aborrecimento.
E o talento é exatamente isso: saber que razão é importante, mas que a mágica acontece mesmo é no coração.
João Livi - Diretor de Criação da Talent