
Seu mundo é real ou virtual?
Por Henrique Tucci.
A vida não é um jogo. Essa afirmação, que muita gente já ouviu por aí, está ficando absurdamente antiquada. E até inadequada. Afinal, já tem muita gente ganhando dinheiro de verdade só no mundo virtual.
Recentemente foi lançado um cartão de débito, do mundo real, como esses que você tem aí na sua carteira, que permite que jogadores gastem dinheiro ganho no universo virtual. O cartão pode ser usado em caixas eletrônicos no mundo todo para converter dólares virtuais em moeda real. Quem está oferecendo este serviço são os desenvolvedores do Projeto Entropia, um jogo on-line do tipo role-play que tem uma economia que se assemelha à do mundo real.
Só para se ter uma idéia de como essa brincadeira está ficando séria, no ano passado, um resort criado e construído neste mundo virtual movimentou cem mil dólares. O negociador foi Jon Jacobs, que participa do Entropia com o personagem “Nerverdie” ou “Nunca morre”. Neste momento está sendo desenvolvida uma boate virtual onde poderão ser vendidos a outros jogadores clipes e músicas de grandes gravadoras.
O fundador do Projeto Entropia, Jan Welter, afirma: “Estamos quebrando a barreira entre a realidade virtual e o mundo real”. O Projeto Entropia é um dentre muitos jogos conhecidos como MMORPGs ― Massively Multi-player Online Role-Playing Games – jogos do tipo role-play para múltiplos usuários on-line. Esse tipo de jogo permite que as pessoas habitem um mundo virtual como um personagem a sua escolha. No Entropia, estes avatars, como são conhecidos, vivem suas vidas virtuais em um planeta chamado Calypso que tem dois continentes com cidades que crescem rapidamente.
A versão básica do jogo é gratuita. Mas, como no mundo real, você precisa de dinheiro para experimentar tudo que aquele Universo tem a oferecer de bom. A economia do Entropia permite que os jogadores troquem moeda real pela sua moeda, a PED – Projetc Entropia Dollars e depois façam sua conversão para o dinheiro real novamente. Veja a cotação atual: cada dez PEDs equivalem a um dólar americano.
Os jogadores podem ganhar mais dinheiro acumulando PEDs quando adquirem bens, prédios ou terrenos. Por exemplo, um jogador pode escolher ser um caçador de animais virtuais para vender peles. Com as peles, uma costureira pode fabricar e vender roupas. A companhia que desenvolveu o jogo, a MindArk, ganha seu dinheiro com a manutenção dos equipamentos que os jogadores usam na simulação, como a máquina de costura deste exemplo. Ou, se o jogador precisa continuar usando sua arma para ganhar dinheiro, também precisa pagar à MindArk para fazer sua manutenção. No ano passado, 165 milhões de dólares foram movimentados pelo jogo e os fundadores deste Universo on-line esperam pelo menos dobrar esta cifra em 2006.
O novo cartão de débito do Entropia torna cada vez mais difuso o limite entre o mundo físico e o virtual. Com ele, as pessoas podem ter acesso a seus PEDs, conseguidos virtualmente, e convertê-los em dinheiro real em qualquer caixa eletrônico. O cartão também permite fazer transferências, saques e depósitos e até ver extratos.
E o jogo já tem seus especuladores. Um jogador da Austrália comprou uma ilha e ganhou dinheiro vendendo terrenos para construção de casas e cobrando taxas para caça e mineração. A venda da ilha entrou para o livro de recordes Guinnes como a maior transação já feita com dinheiro virtual.
Você já pode acordar cedo, colocar seu terno e ir pra frente do computador. Agora só falta a Forbes lançar sua lista com os 500 maiores empresários do mundo on-line.
E você? Já pensou no seu próximo negócio virtual da vida real? Conte pra gente o que você faria para ganhar dinheiro no seu mundo virtual.
Conheça o Projeto Entropia: http://www.entropiauniverse.com/en/rich/5000.html
















































